TipoConceito
Atualizado2026-06-29

Definição

Vícios redibitórios são defeitos ocultos existentes na coisa objeto de contrato comutativo, que a tornam imprópria ao uso a que se destina ou lhe diminuem o valor, autorizando o adquirente a rejeitá-la (redibir o contrato) ou exigir abatimento no preço. A disciplina central está nos Art. 441 a 446. O instituto é aplicável também às doações onerosas (Art. 441, parágrafo único).

Requisitos e espécies

Para caracterização do vício redibitório, exige-se: (a) contrato comutativo (ou doação onerosa); (b) vício ou defeito oculto à época da tradição; (c) preexistência do defeito ao momento da transferência; (d) gravidade que torne a coisa imprópria ao uso ou lhe diminua o valor.

Os vícios ocultos diferenciam-se dos aparentes (estes de fácil constatação), cabendo ao alienante garantir que a coisa não os apresente. A ignorância do alienante quanto ao vício não o exonera — apenas mitiga as consequências (Art. 443).

Vícios na empreitada

Na empreitada, presume-se verificado o que se mediu se não houver denúncia de vícios ou defeitos em 30 dias (Art. 614, § 2º). Em construções consideráveis, o empreiteiro responde por 5 anos pela solidez e segurança, com decadência em 180 dias do aparecimento do vício (Art. 618 e parágrafo único).

Vícios na locação

O locador responde pelos vícios ou defeitos da coisa anteriores à locação (Art. 568; Art. 22, IV).

Vícios no CDC (relação de consumo)

O Art. 18 estabelece regime próprio de responsabilidade solidária do fornecedor por vícios de qualidade ou quantidade que tornem o produto impróprio ou inadequado ao consumo, com prazos decadenciais de 30/90 dias (Art. 26). A garantia legal independe de termo expresso (Art. 24) e a ignorância do fornecedor não o exime (Art. 23). Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se quando evidenciado o defeito (Art. 26, § 3º).

Efeitos e escolha do adquirente

O adquirente pode optar entre (Art. 442):

  • ação redibitória — rejeitar a coisa e resolver o contrato, com restituição do preço;
  • ação estimatória (quanti minoris) — conservar a coisa com abatimento proporcional do preço.

Se o alienante conhecia o vício, responde por perdas e danos além da restituição; se o ignorava, restitui apenas o valor recebido acrescido das despesas do contrato (Art. 443). A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em poder do adquirente, se o perecimento decorrer do vício oculto preexistente (Art. 444).

Prazos decadenciais

Os prazos para exercer a pretensão redibitória ou estimatória são (Art. 445):

  • bens móveis: 30 dias da entrega efetiva (15 dias se já na posse);
  • bens imóveis: 1 ano da entrega efetiva (6 meses se já na posse);
  • vícios ocultos (móveis): 180 dias da ciência;
  • vícios ocultos (imóveis): 1 ano da ciência;
  • venda de animais: prazos de lei especial ou, na falta, usos locais (Art. 445, § 2º).

Na constância de cláusula de garantia, os prazos não correm; o adquirente, porém, deve denunciar o defeito ao alienante nos 30 dias seguintes ao descobrimento, sob pena de decadência (Art. 446).

Doação

Em regra, o doador não responde por vício redibitório. A exceção é a doação para casamento com pessoa determinada, em que o doador se sujeita à evicção e, por conseguinte, ao vício redibitório, salvo convenção em contrário (Art. 552).

  • Art. 441 — conceito; aplicação às doações onerosas
  • Art. 442 — opções do adquirente: redibição ou abatimento
  • Art. 443 — responsabilidade conforme ciência do alienante
  • Art. 444 — perecimento da coisa por vício oculto
  • Art. 445 — prazos decadenciais
  • Art. 446 — garantia contratual e denúncia
  • Art. 552 — doação: exclusão da responsabilidade
  • Art. 568 — locação: responsabilidade do locador
  • Art. 614 § 2º — empreitada: prazo de denúncia
  • Art. 618 — empreitada: garantia quinquenal
  • Art. 18 — vícios do produto na relação de consumo
  • Art. 19 — vícios de quantidade
  • Art. 20 — vícios do serviço
  • Art. 23 — irrelevância da ignorância do fornecedor
  • Art. 24 — garantia legal independente de termo
  • Art. 26 — decadência no CDC; vício oculto
  • Art. 22 IV — locador responde por vícios anteriores à locação

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